Enfrentando resistência por parte do governo Jair Bolsonaro,
a vacinação de crianças contra a covid-19 levou parlamentares a apresentarem
notícia-crime contra o chefe do Executivo e o ministro da Saúde, Marcelo
Queiroga, por suposto crime de prevaricação e incitação ao crime. O senador
Alessandro Vieira, a deputada Tabata Amaral e o secretario de Educação do Rio
de Janeiro Renan Carneiro questionam a recusa da inclusão de crianças entre
cinco a onze anos no programa de imunização contra o Sars-Cov-2.
Além disso, no âmbito de outra notícia-crime enviada ao STF,
o deputado Reginaldo Lopes acusa Bolsonaro de incitar ameaças contra servidores
da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), que aprovou a vacina Comirnaty, da
Pfizer, para crianças.
Vieira, Amaral e Carneiro acionaram o STF nesta quarta-feira,
22, apontando ações ‘deliberadas e coordenadas para retardar’ a inclusão da
vacina contra Covid-19 para crianças no Plano Nacional de Imunização, gerando
‘atraso na definição da estratégia de campanha de vacinação, logística,
aquisição, distribuição e monitoramento do processo como um todo’.
Um dos pontos principais combatidos é a consulta pública
lançada pelo Ministério da Saúde pelo tema, que vem sendo duramente criticada
por especialistas. O argumento de Vieira, Amaral e Carneiro é o de que, em caso
de decisões baseadas em conhecimento científico e que demandam posicionamento
técnico das autoridades sanitárias ‘não é razoável impor caráter populista às
decisões administrativas’.
“A competência para aprovação do uso de determinado
imunizante cabe à Anvisa, e não à população em geral por meio de consulta
pública, tampouco ao Presidente da República que não possui a expertise técnica
fundamental para a tomada de decisão de tamanha importância”, frisam.
Já a notícia-crime assinada por Lopes foca da conduta do
presidente Jair Bolsonaro durante live realizada após a Anvisa aprovar o uso da
vacina Comirnaty, da Pfizer, para crianças. Na ocasião, o chefe do Executivo
tentou intimidar os servidores da autarquia afirmando que divulgaria o nome dos
‘responsáveis’ pela aprovação do imunizante.
Para o deputado, a declaração de Bolsonaro ‘animou’ pessoas a
ameaçarem os servidores públicos – ‘o que, no mínimo, foi um risco assumido
pelo noticiado, ao menos em tese’. “Quando o noticiado afirma que irá divulgar
os nomes dos servidores públicos ele sabe, pois vem do ambiente político, que
não se tratará de debate político e, sim, pessoal daqueles servidores. Deixa de
ser a Anvisa a passar pelo escrutínio social e passa a ser seus servidores”,
registra a notícia-crime.
Após a declaração de Bolsonaro, servidores da Anvisa
denunciaram uma escalada nas ameaças. A Polícia Federal concluiu um primeiro
inquérito sobre o assunto, envolvendo e-mail com ameaças de morte enviadas a
diretores da autarquia no final de outubro. O responsável pela mensagem foi
denunciado pelo Ministério Público Federal.
Fonte: Estadão
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