Um estudo publicado nesta quarta-feira (26) pelo Comitê de
Especialistas para o Enfrentamento da Pandemia pela Covid-19 da Secretaria
Estadual de Saúde Pública (Sesap) relaciona o avanço da vacinação com a queda
da letalidade da doença no Rio Grande do Norte. O estudo defende a necessidade
de cobrança do passaporte vacinal para proteção da sociedade.
De acordo com a análise, a comparação entre as taxas de
letalidade do atual momento da pandemia no Rio Grande do Norte e a primeira
onda, em 2020, aponta para um índice 4,7 vezes menor nesta onda. Caso os
índices fossem iguais, 505 vidas a mais teriam sido perdidas este ano para a
Covid-19.
Segundo o levantamento feito pelo Comitê e a avaliação dos
dados feita pelo professor Ângelo Roncalli, na atual onda (dez/2021 a jan/22)
no RN foram registrados 21.956 casos de Covid-19 e 133 óbitos, com uma
letalidade de 0,6%.
Importante salientar ainda a subnotificação de casos, diante
da dificuldade para realização de testes, como apontam relatos públicos. Se a
terceira onda tivesse ocorrido nas mesmas condições da primeira (maio a julho
de 2020), quando não havia vacina disponível, o número de óbitos chegaria a
638.
O estudo concluiu também que se a terceira onda estivesse
ocorrendo nas condições iguais às da segunda (março a julho de 2021), quando a
campanha de vacinação estava em velocidade longe da ideal, o total de óbitos
seria de 400, ou seja, 267 óbitos a mais.
“Os dados são muito claros em mostrar como a vacinação tem um
papel fundamental. No momento atual, com a chegada da variante Ômicron, temos
uma taxa de letalidade muito baixa quando comparada às taxas das outras ondas,
apesar de vermos um quantitativo de infecções muito alto. Atribuímos esse
quadro à vacinação, porque as pessoas que estão hoje sendo hospitalizadas com
quadros graves não estão vacinadas ou estão com seu ciclo vacinal incompleto,
faltando a segunda ou a terceira dose, que é muito importante para fazer um
papel protetor contra a nova variante. Então fica o alerta para as pessoas se
vacinarem e se protegerem, pois as pessoas vacinadas que contraem a covid estão
desenvolvendo as formas leves da doença, sem necessidade de serem
hospitalizadas”, explicou Janeusa Trindade, professora titular do Departamento
de Microbiologia e Parasitologia da UFRN e integrante do Comitê de
Especialistas.
A professora defende, ainda, a importância do passaporte
vacinal como forma de incentivar a vacinação junto à população que ainda não
tomou as doses ou não completou o esquema vacinal.
“A cobrança do passaporte vacinal deve ser vista como uma
política de saúde pública, no sentido de estimular a população não vacinada a
buscar a vacinação e se proteger, é um direito coletivo à saúde e essencial ao
controle da pandemia”, ressaltou.
98 FM
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