As boas chuvas que caem no Rio Grande do Norte desde janeiro
aumentam a esperança de que os reservatórios de água recuperem o volume de água
perdida durante os anos de seca. No entanto, em Caicó, no Seridó potiguar, o
açude Itans, um dos maiores do Rio Grande do Norte, segue numa situação
difícil.
O reservatório está com menos de 1% da capacidade total. A
falta de água já fez com que o abastecimento fosse suspenso no município, além
de prejudicar pescadores e agricultores.
A horta em que o agricultor Geraldo Jousé trabalha é irrigada
com a água que vem do açude Itans. Os pés de coentro, cebolinha e alface são
plantados na área do reservatório. Se ele estivesse cheio, toda a área de
plantio estaria coberta de água. Mas com a seca do açude, e a cada dia a água
indo para mais longe, está mais difícil manter a irrigação das hortaliças.
“Tem que colocar mais cano porque não dá. Se for acolá pra
cima, aí é que é cano. Todo mundo vem sofrendo com isso aqui, todos os
rendeiros sofrem quando esse açude não enche. E se não chover esse ano a
tendência é secar mais ainda”, lamenta o agricultor Geraldo Josué.
A última vez
que o açude Itans atingiu a capacidade total e transbordou foi em 2009. De lá
pra cá, mesmo atravessando alguns invernos e períodos de estiagem, o açude não
conseguiu atingir uma reserva hídrica satisfatória. Nos últimos anos, a
situação só tem piorado. Em junho do ano passado, o açude atingiu o volume
morto e está apenas com 0,7% do que pode armazenar.
Isso representa um volume atual de 500 mil metros cúbicos de
água diante dos 75 milhões de metros cúbicos que o reservatório pode armazenar.
Para o Instituto de Gestão das Águas, (Igarn), o Itans já é considerado um
açude seco. O volume de água abaixo de 1% já atinge as atividades importantes
de quem depende dele. O abastecimento de água foi suspenso quando o açude
chegou ao volume morto.
“Se tem um volume morto, já corta o abastecimento de água, já
corta a qualidade. O açude tá praticamente seco”, afirma o responsável pelo
escritório Dnocs em Caicó, Ubiratan Machado.
As chuvas antecipadas pelo interior do estado, no mês de
janeiro, não foram suficientes para mudar a realidade do Itans. De acordo com o
responsável pelo escritório o motivo é que não choveu nos lugares fundamentais
para que o açude recebesse água.
“Teve muita chuva no centro da cidade. Teve chuva aqui, mas
foi fina e quando acontece uma chuva maior, passa dois dias sem chover e a
evaporação vai embora. Se não chover nos rios, afluentes que jogam para dentro
do açude, então tem que pelo menos chover na cabeceira do açude. E tá uma
escassez muito grande de chuva na cabeceira do açude”, explica Ubiratan.
Praticamente sem água, a pesca já se tornou inviável. De
acordo com o Dnocs, 11 irrigantes utilizam o perímetro irrigado da água que vem
do Itans, além de 165 famílias em torno do reservatório que possuem concessões
para utilizar a água que ainda resta.
“Fica difícil porque pelo movimento da pesca, o açude muito
seco, muita lama, é complicado, dificultoso. Com relação ao abastecimento da
estação, nós estamos usando uma pequena demanda de aproximadamente de 4 a 5
litros por segundo, é como estamos atendendo a estação para que a gente salve
nossas matrizes” explica Jorge Luiz da Silva, responsável pela estação de
piscicultura.
G1
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