O governo do Rio Grande do Norte entregou nesta sexta-feira
(18) 16 casas e lotes de terra da Agrovila Jucurutu, dando início à relocação
de famílias que vivem em áreas inundáveis da Barragem Oiticica.
O reservatório de água é construindo na Bacia do Rio Piranhas-Açu,
por onde as águas do Rio São Francisco chegaram pela primeira vez ao Rio Grande
do Norte no início de fevereiro.
As primeiras famílias a receber os imóveis são da comunidade
Carnaúba Torta, que fica localizada na área que será alagada.
Segundo o governo, as novas casas entregues atendem 56
pessoas, com acesso aos serviços de água tratada, energia elétrica, terra para
o plantio e segurança alimentar dos trabalhadores.
A família da agricultora Maria do Socorro Silva recebeu as
chaves da casa do lote 19 da Agrovila Jucurutu, para onde as famílias foram
transferidas. Ao todo, a nova comunidade terá 37 casas.
"Sempre que me procuravam para falar sobre isso eu
dizia: é só entrevista? Não tem nada de concreto? Eu já não tinha fé de que
essas casas sairiam. Hoje, graças a Deus, estamos realizando um sonho",
disse.
As casas têm 58 metros quadrados de área construída, com dois
quartos, sala, cozinha, banheiro, alpendre e lavanderia externa, e um terreno
de 7 mil metros quadrados para o plantio de culturas de subsistência e criação
de pequenos animais.
"Isso aqui não é favor, é um direito de vocês que está
sendo conquistado. Fico feliz por isso, por ter participado dessa luta como
parlamentar e estar entregando as casas como governadora. Hoje é um dia de
muito simbolismo para nós porque trata-se da realização de uma conquista feita
com muita luta, união e coragem", disse a governadora Fátima Bezerra (PT).
A Agrovila Jucurutu é a primeira de quatro áreas reservadas
para assentamento de 112 famílias de trabalhadores rurais da região. As demais
ficam nos municípios de São Fernando e Jardim de Piranhas.
Segundo o governo do estado, as obras da barragem só serão
finalizadas quando não houver nenhum morador em área inundável. "Não vamos
repetir aqui o que aconteceu na Barragem Armando Ribeiro", disse Fátima. A
barragem foi inaugurada em 1983 sem a remoção de todos os moradores das
comunidades rurais.
A obra é realizada pelo governo do estado e também conta com
recursos federais. No dia 9 de fevereiro, quando visitou a obra da barragem no
Rio Grande do Norte, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou o atraso na
obra, que seria provocado, segundo ele, por interesses políticos do governo
estadual.
“A gente lamenta não podermos ainda fechar a barragem para
encorpar e realmente represar água, porque virou uma questão política por parte
da governadora. É dar atenção a minorias que lutam pelo direito a não
barragens. O que é isso? Por causa de 10 ou 15 famílias, isso não é concluído.
Espero que em breve possamos pegar essas pessoas e alocar em um local adequado
para elas. Não pode 15 pessoas prejudicar mais de 300 mil que vivem na região
do Seridó”, afirmou Bolsonaro.
A fala foi rebatida pelo governo do estado. Segundo o
secretário de Recursos Hídricos do RN, João Maria Cavalcanti, há centenas de
famílias afetadas pela obra. "Um governo como o nosso não vai inundar sem
haver um diálogo com essa população", disse na ocasião.
Barragem
Com capacidade para acumular 590 milhões de metros cúbicos,
Oiticica será o terceiro maior reservatório do Rio Grande do Norte, atrás da
Armando Ribeiro (2,37 bilhões) e Santa Cruz do Apodi (599,7 milhões).
Segundo o governo estadual, terá água suficiente para
abastecer 43 municípios, totalizando 800 mil habitantes, irrigar até 10 mil
hectares e gerar 3,5 megawatts de energia elétrica. O projeto foi concebido
prevendo a demanda por água nos próximos 50 anos.
Nos primeiros dias de 2022, o Governo do Estado emitiu Ordem
de Serviço para aquisição dos equipamentos hidromecânicos das comportas, com
início imediato e prazo de 180 dias para conclusão.
De acordo com o cronograma da Secretaria Estadual do Meio
Ambiente e dos Recursos Hídricos, as obras de Oiticica serão finalizadas em
dezembro de 2022. As demais residências da agrovila Jucurutu, assim como os
imóveis de Nova Barra de Santana, serão entregues até 30 de abril. As demais
agrovilas, até o final do ano.
G1
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