A Petrobras confirmou que não poderá atender todos os pedidos
de fornecimento de combustíveis para novembro, que teriam vindo acima de sua
capacidade de produção, acendendo um alerta para distribuidoras, que apontaram
para risco de desabastecimento no país.
Em comunicado na véspera, a petroleira afirmou que recebeu
uma “demanda atípica” de pedidos de fornecimento de combustíveis para o próximo
mês, muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção, e que
apenas com muita antecedência conseguiria se programar para atendê-los.
A confirmação vem após a Associação das Distribuidoras de
Combustíveis Brasilcom – que representa mais de 40 distribuidoras regionais de
combustíveis – ter afirmado na semana passada que a petroleira teria avisado
diversas associadas sobre “uma série de cortes unilaterais nos pedidos feitos
para fornecimento de gasolina e óleo diesel” para novembro.
Para a associação, “as reduções promovidas pela Petrobras, em
alguns casos chegando a mais de 50% do volume solicitado para compra, colocam o
país em situação de potencial desabastecimento”.
Isso porque, segundo a Brasilcom, as empresas não estão
conseguindo comprar combustíveis no mercado externo, pois os preços do mercado
internacional “estão em patamares bem superiores aos praticados no Brasil”.
A Petrobras e o governo federal vêm sofrendo pressões de diversos
segmentos da sociedade devido a um avanço expressivo dos preços dos
combustíveis no país neste ano, que têm refletido cotações internacionais.
Nesse contexto, a petroleira tem reajustado os preços em intervalos maiores nos
últimos meses, evitando repassar volatilidades externas.
O Brasil não produz o volume de combustíveis necessário para
abastecer o país e depende de importações. A Petrobras, nos últimos anos, vem
buscando praticar preços de mercado, para garantir que as compras externas não
tragam prejuízos.
Parque de refino
A petroleira destacou, no comunicado na noite de
segunda-feira, que está operando seu parque de refino com fator de utilização
de 90% no acumulado de outubro, contra 79% no primeiro semestre do ano.
Em 2020, o fator de utilização das refinarias também ficou em
cerca de 79%, superior ao registrado em 2019 (77%) e 2018 (76%), mesmo
considerando paradas programadas nas refinarias Reduc, RPBC, Regap, Rlam, Repar
e Revap, que foram postergadas de 2020 para 2021 em função da pandemia.
“Nos últimos anos, o mercado brasileiro de diesel foi
abastecido tanto por sua produção, quanto por importações realizadas por
distribuidoras, terceiros e pela companhia, que garantiram o atendimento
integral da demanda doméstica”, disse a Petrobras.
“Para o mês de novembro, a Petrobras recebeu pedidos muito
acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção. Apenas com muita
antecedência, a Petrobras conseguiria se programar para atender essa demanda
atípica”, informou.
“Na comparação com novembro de 2019, a demanda dos distribuidores
por diesel aumentou 20% e a por gasolina 10%, representando mais de 100% do
mercado brasileiro”, destacou a petroleira.
A Petrobras frisou ainda, no entanto, que segue atendendo os
contratos com as distribuidoras, de acordo com os termos, prazos vigentes e sua
capacidade. Além disso, a companhia está maximizando sua produção e entregas,
operando com elevada utilização de suas refinarias, afirmou.
Segurança para investir
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) reiterou em
nota nesta terça-feira sua defesa pelo alinhamento de preços ao mercado
internacional e sinalizou que uma clareza sobre o tema é necessária para atrair
o investimento de agentes econômicos para a ampliação do parque de refino
brasileiro.
“O Brasil é um importador líquido de derivados, quadro que
não deve se alterar na próxima década”, disse o instituto, que tem em seu
quadro de associados as maiores distribuidoras do país Vibra Energia (Ex-BR);
Ipiranga, do grupo Ultra; e Raízen, joint venture de Shell com Cosan.
“Sem a percepção clara por parte dos agentes econômicos de
que os preços variarão segundo regras de mercado, como ocorre com todas as
demais commodities, não há segurança para a ampliação do parque de refino
nacional”, destacou.
O IBP frisou ainda que o mercado de combustíveis é
mundialmente integrado “e é o alinhamento de preços ao mercado internacional,
adotado no Brasil desde 2016, que garante a transparência quanto aos preços
relativos e dá a sinalização correta aos agentes econômicos para que estes invistam
no aumento da oferta e no aprimoramento da logística de distribuição,
garantindo o abastecimento nacional”.
O consumo de combustíveis, disse o IBP, tem crescido ao longo
de 2021 e já alcança patamares pré-pandemia. De janeiro a agosto de 2021, 26%
do volume de diesel e 8% da gasolina foram adquiridos no mercado externo,
afirmou.
Fonte: Estadão
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