Uma investigação aberta pela Secretaria Estadual de Saúde do
Rio Grande do Norte apura 12 mortes de bebês recém-nascidos, em menos de um
mês, na UTI neonatal do Hospital Dr. José Pedro Bezerra - mais conhecido como
Hospital Santa Catarina - na Zona Norte de Natal.
O trabalho de investigação da vigilância epidemiológica
analisa a situação dos óbitos registrados entre os dias 18 de setembro e 16 de
outubro, que teriam ocorrido por uma possível infecção hospitalar. Mães que
perderam seus filhos dizem que os recém-nascidos morreram por causa de uma
bactéria.
Thainará Thamires da Silva conta que teve o pequeno Lorenzo
no dia dia 21 de agosto. Ele nasceu prematuro, com 28 semanas. Cerca de um mês
após o nascimento, o bebê pegou uma bactéria e faleceu, segundo a mãe. Ela
afirma a bactéria teria sido transmitida por outras crianças que estavam
internadas no local.
A certidão de óbito do bebê tem como causas da morte choque
séptico, sepse tardia, enterocolite necrosante e prematuridade extrema.
"Ele estava bem, a gente já estava indo para o canguru,
quando o bebê não precisa mais de aparelho e já consegue respirar direito.
Estava ganhando peso, mas pegou essa bactéria. E a gente quer ter uma
explicação das autoridades e do hospital, porque não está claro o que realmente
aconteceu", disse.
Weska Sabrina teve duas filhas gêmeas no dia 14 de setembro e
as filhas ficaram internadas no hospital. Uma delas, Maria Liz, ficou na UTI
por 30 dias e faleceu após também pegar uma bactéria, segundo a mãe. O óbito
ocorreu exatamente um mês após o nascimento da bebê, em 14 de outubro.
"Ela pegou uma bactéria fortíssima dentro da UTI
neonatal. Era para ser uma uma UTI para recém-nascidos, mas se encontrava uma
bebê de um ano com uma forte bactéria, que era para estar numa UTI pediátrica.
Também tinha uma bebê de seis meses com uma bolsa de colostomia. Essa bactéria
foram transmitidas para vários bebês", disse.
A declaração de óbito da menina tem as seguintes causas:
falência de múltiplos órgãos, sepse tardia, tetralogia, de fallot de má anatomia,
sífilis congênita, prematuridade e baixo peso.
Inicialmente, a Secretaria Estadual de Saúde informou não foi
detectada uma sintomatologia comum entre os recém-nascidos que morreram.
"Dentre os prontuários analisados, não foi detectada
sintomatologia em comum aos recém-nascidos. A Sesap aguarda a conclusão dos
demais exames para finalizar as análises. Os óbitos tiveram causas diversas
como, por exemplo, hemorragia pulmonar, endocardite bacteriana ou sepse",
informou em nota.
De acordo com a pasta, a UTI permanece com seis bebês
internados e isolados, aguardando resultado de exames.
Problemas foram constatados
Apesar de ainda aguardar os exames, a pasta informou que já
foram identificados sete fatores que "podem ter contribuído para os casos
de infecção hospitalar" e encaminhou a realização de oito ações para
melhoria na unidade, como a limpeza geral da UTI, mudança de rotina na ordenha
das mães, aquisição de equipamentos e incremento no padrão de higienização dos
materiais e dos profissionais.
"A Sesap seguirá trabalhando para concluir a
investigação, após a finalização dos exames que estão sendo feitos pelo
Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen)", informou em nota.
A pasta ainda ressaltou que o número de óbitos registrados
recentemente está dentro da série histórica dos últimos anos na UTI neonatal do
hospital.
G1
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