A viagem que o presidente Jair Bolsonaro fez ao Rio Grande do
Norte no dia 24 de junho deste ano foi citada pelo senador Renan Calheiros
(MDB-AL) na minuta do relatório final da CPI da Covid-19 no Senado. A citação
serviu para embasar o argumento de Renan Calheiros de que o presidente da
República agiu para estimular a população a não se proteger contra o
coronavírus.
No relatório, que será apresentado formalmente na CPI nesta
quarta-feira (20) e que ainda pode passar por mudanças antes da aprovação
final, Renan Calheiros cita a passagem do presidente pelo Rio Grande do Norte
para mencionar o episódio em que Bolsonaro pegou uma criança no colo e retirou
a máscara que ela usava, a expondo à contaminação pela Covid-19.
O caso aconteceu em Pau dos Ferros, na região Oeste do
Estado, em um evento que teve aglomeração de pessoas.
Renan Calheiros registra que a viagem do presidente ao RN
aconteceu duas semanas depois de Bolsonaro afirmar que determinaria ao ministro
da Saúde, Marcelo Queiroga, a elaboração de um parecer “visando a desobrigar o
uso de máscara por aqueles que estejam vacinados ou por aqueles que já foram
contaminados”, apesar de cientistas recomendarem a manutenção do uso do
acessório.
“(…) passadas duas semanas, no dia 24 de junho, o Presidente
da República, em visita ao Rio Grande do Norte, de maneira irresponsável,
inconsequente e antipedagógica, sem usar ele mesmo máscara, retirou a máscara
de uma criança que pegou no colo no meio da multidão, apenas para tirar uma
foto”, escreveu Renan Calheiros no parecer, divulgado pelo jornal O Estado de
S. Paulo.
Conclusões
O relatório conclui que Bolsonaro agiu para estimular que a
população voltasse às suas atividades normais sem tomar os cuidados para tanto,
como forma de promover a tese da imunidade de rebanho.
“Isso nos leva a concluir que o Presidente da República tinha
interesse em encorajar os brasileiros a se expor ao contágio sem proteção, para
que pudessem ser infectados pelo vírus sem maiores dificuldades ou barreiras”,
escreveu Renan, que arremata:
“Portanto, pelos fatos apurados, esta CPI restou convencida
de que o governo federal, contando com a omissão do Ministério da Saúde,
opôs-se à adoção das medidas não farmacológicas de prevenção da covid-19, com o
intuito de estimular a população a se expor à infecção pelo Sars-Cov-2, para,
assim, promover imunidade de rebanho da população brasileira contra a doença.”
98 FM
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