Entidades do turismo, comércio e serviços esperam que o
governo federal dê, até o fim deste mês, uma resposta sobre o pedido pelo
retorno do horário de verão. O agravamento da crise hídrica, a pressão dos
empresários e o apoio popular à iniciativa podem pesar a favor da mudança.
“Minha expectativa é ter uma definição até a próxima semana e
que passe a vigorar a partir do dia 15, 20 de outubro e vá até o mais próximo
do final de março”, diz Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes (Abrasel), uma das entidades que encabeça a pauta.
Solmucci acredita que a pesquisa divulgada pelo instituto
Datafolha nessa semana, que aponta 55% da população favorável ao adiantamento
dos relógios em 1h, possa ajudar na decisão do governo federal.
No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que poderia
acatar a medida se a maioria dos brasileiros aprovassem.
No início de setembro, pelo menos 15 entidades de turismo,
alimentação e varejo entregaram um ofício com a defesa do horário de verão.
Os setores veem na estratégia uma possibilidade de
recuperação dos prejuízos financeiros causados pela pandemia e ainda argumentam
uma ajuda na economia energética diante da maior crise hídrica dos últimos 91
anos.
O pedido também tem a adesão de entidades do setor de
energia. Em um relatório com a chancela do Instituto de Defesa do Consumidor,
Instituto Clima Sociedade e International Energy Initiative (IEI), Mitsidi
Projetos, Projeto Hospitais Saudáveis e Fórum de Energias Renováveis, elas
argumentam que o horário de verão pode produzir uma redução de até 5% no
consumo de eletricidade no início da noite.
Já o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que o
adiantamento dos relógios não traz economia significativa, apenas atenua
consumo nos horários de pico. O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, defende
que qualquer economia é bem-vinda nesta crise hídrica.
A mesma defesa é feita por Fábio Aguayo, presidente da
Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas) e da Confederação Nacional do
Turismo.
Segundo ele, os empresários articulam com parlamentares e
pessoas próximas ao governo para receber uma resposta positiva de Jair
Bolsonaro. O empresário Luciano Hang, aliado do presidente, é favorável ao
horário de verão.
Para bares e restaurantes, a projeção é que a mudança traga
movimento dobrado no horário entre 6h e 21h, com aumento de 10% no faturamento.
Segundo a Abrasel, 37% dos estabelecimentos ainda operam com prejuízo por causa
da pandemia. Já no setor de entretenimento e turismo, a expectativa é de uma
alta de 30% no faturamento.
Aguayo argumenta que o horário de verão pode criar novos
postos de trabalho. “Tem empresa que está deixando de contratar para pagar
conta de luz”, aponta.
“Qualquer ajuda que puder ser dada será extremamente preciosa
e justa porque o setor pagou uma conta desproporcional por um bem coletivo”,
defende Solmucci sobre os prejuízos acumulados na crise sanitária.
Com informações da CNN

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